Como as Empresas Brasileiras Estão Utilizando a Informação para a Competitividade
Esta é a primeira de uma série de publicação que faremos sobre o trabalho realizado por Milton Santos (maiores detalhes sobre o autor em seu site).
Por ser um trabalho de extrema utilidade aos empreendedores de plantão, estamos propagando suas idéias, conceitos e pesquisas como utilidade pública acessível aos interessados sobre o tema abordado, assim como o autor disponibiliza em seu site.
1° PARTE
1 Referencial teórico: a informação como fator de competitividade
A pesquisa bibliográfica realizada identificou a existência de três trabalhos voltados
especificamente à questão da informação como fator de competitividade, cujo referencial
teórico sobressai entre os demais em quantidade e qualidade. Estas três contribuições teóricas
possuem estrutura, características e propostas bastante distintas.
A primeira contribuição vem do trabalho de Porter e Millar (1997). Neste trabalho, os
autores não exploram inicialmente qual tipo de abordagem de informação utilizam. A
exposição parte diretamente para o modelo proposto de interação entre informação e
competitividade, sem se deter na compreensão do fenômeno da informação no ambiente das
organizações. Neste sentido, do ponto de vista conceitual, o trabalho não apresenta uma
contribuição mais específica à compreensão da importância atual da informação para as
organizações e faz uma releitura do atual momento de transformações à luz da teoria da
competitividade de Porter (1991), promovendo uma adaptação do cenário mais amplo e
complexo das transformações atuais ao escopo da chamada teoria das cinco forças . Ao não
tratar de modo mais detalhado as características da informação nas organizações, a proposta
dos autores deixou de prestar uma contribuição importante para a evolução da teoria no que se
refere à atual importância da informação para as organizações e sua relação com a
competitividade.
A segunda contribuição teórica vem do modelo de McGee e Prusak (1999) e avança no
sentido da compreensão conceitual e contextual da informação. O trabalho parte de uma
análise do macro-ambiente, passando pela tecnologia, e termina por relacionar a informação
ao ambiente de negócios. Sua análise é mais ampla e mais profunda, buscando compreender
as diversas faces da informação e situá-la no processo estratégico da empresa. Neste caso os
autores iniciam o trabalho sugerindo uma definição de informação que traz dois sentidos: um,
de trabalhar a informação (coletar, organizar, ordenar); outro, de atribuir-lhe significado e
contexto. Esta definição demonstra um enfoque processual e interpretativo para a informação,
na medida em que a considera como um insumo a ser trabalhado para agregar-lhe valor. A
ressalva que se faz a esta abordagem é que ela se mostra, em certa medida, dispersa nos
conceitos e instrumentos sugeridos, dificultando a sua transposição para o ambiente de
negócios como uma ferramenta efetiva de gestão estratégica da informação. Outra ressalva é
que, não abordando de modo mais rigoroso a questão da competitividade, o modelo proposto
pelos autores torna-se difuso na proposta de vinculação da informação com a competitividade,
fornecendo caminhos pouco específicos.
O terceiro referencial teórico vem de Marchand (2000). Neste trabalho, a informação tem
um caráter instrumental, como a forma que as pessoas da empresa utilizam para expressar,
representar, comunicar e compartilhar seus conhecimentos com as outras pessoas, visando a
executar suas atividades e alcançar os objetivos da organização.
A compreensão do modelo de gestão da informação como fator de competitividade
proposto pelo autor precisa ser realizada em dois momentos, a partir de três trabalhos
publicados. No primeiro trabalho (MARCHAND, 2000), o foco da proposta metodológica foi
predominantemente instrumental. Neste momento, o modelo foi apresentado em seu formato
acabado e complementado com conceitos e ferramentas para sua implementação, com pouca
ou nenhuma referência contextual ou fundamentação teórica. Já no segundo e terceiro
trabalhos, realizados em parceria com outros pesquisadores (MARCHAND, KETTINGER e
ROLLINS, 2001a e 2001b), além de terem ampliado o escopo, os autores apresentam a
fundamentação teórica básica do modelo e das ferramentas gerenciais propostas. O primeiro
trabalho apresenta-se como um texto mais instrumental, aparentemente destinado ao público
gerencial, ao passo que os outros dois têm caráter mais teórico-conceitual, aparentemente
voltado à Academia.
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