Thelma Teixeira as técnicas de Psicodrama e Jogo Dramático
Certa vez viajando pela região da Galícia na Espanha, deparei-me com um cardápio onde uma das sobremesas era "pudim galego". Como gosto de experimentar as comidas típicas do lugar onde estou, resolvi pedir. Tratava-se de um flan comum com uma calda de caramelo. Prosseguindo em minha viagem cheguei à região Basca e vi no cardápio "pudim basco". Fiz o pedido e, quando chegou, era o mesmo flan com calda de caramelo. Ao chegar à região da Catalunha lá estava no cardápio "pudim catalão" e eu decidi conhecê-lo com a esperança de ser algo típico daquela região, mas era o mesmo flan. Na Andaluzia também estava no cardápio "pudim andaluz", mas lá eu só pedi para ver. Era aquele mesmo, conhecido nosso flan.
Quando fiz minha formação em Psicodrama (há muitos anos) o nome Jogo Dramático não era utilizado. Falávamos de técnica psicodramática ou simplesmente Psicodrama. Já trabalhando com Psicodrama aplicado às organizações, para o qual criei o nome "Psicodrama Empresarial" por julgar mais adequado ao que eu realizava, conheci o livro "Jogos Dramáticos" da
Regina Monteiro. Preocupei-me, na época, se eu estava utilizando nomes e conceitos adequados e principalmente em compreender o que significava cada uma das terminologias. Essa compreensão chegou ao seu ponto final com a experiência que tive com o pudim espanhol. Ou seja, Jogo Dramático, técnica psicodramática, vivência psicodramática é tudo a mesma coisa, só muda o nome.
Talvez por eu ter a tendência de associar a expressão "jogo" ao termo competição confesso que prefiro técnica psicodramática em vez de jogo dramático mas isso não tem a menor importância. O que realmente importa é saber o que é isso e quais são os seus resultados.(assim como no caso do pudim, o importante era saber se ele era bom ou não).
O Jogo Dramático se insere no Psicodrama porque faz uso das suas técnicas básicas e clássicas, assim como de seus instrumentos e suas etapas. É basicamente isso o que diferencia dos outros jogos. Para falarmos de Jogo Dramático precisamos portanto falar de Psicodrama.
Psicodrama, técnica de desenvolvimento humano criada por Jacob Moreno, médico romeno (1889-1974) tem suas raízes no teatro, além da sociologia e psiquiatria. Utiliza-se de métodos de representação dramática e tem como uma de suas bases, a teoria da espontaneidade.
Etapas do Psicodrama
O Psicodrama se realiza em três etapas: o aquecimento, procedimentos de preparação para a ação dramática, a dramatização, vivência através da representação da situação (cena) e o sharing, compartilhamento do que foi vivenciado.
Seus instrumentos são o protagonista, pessoa que é o foco da dramatização, o psicodramatista ou diretor, aquele que dirige e facilita o psicodrama, o(s) ego(s) auxiliar(es), pessoas que auxiliam o desenvolvimento da atividade, o cenário, espaço físico e psicológico onde a dramatização se realiza, a platéia, pessoas que assistem e não participam da representação.
Suas técnicas básicas são o duplo, expressão dos sentimentos e pensamentos que o protagonista não percebe ou evita explicitar na cena representada, o espelho, que é o colocar-se na postura física do protagonista e fazer como ele faz, o solilóquio, dizer alto o que está pensando e a inversão de papéis, colocar-se no lugar do outro e representar o seu papel "como se" fosse o outro.
O Jogo Dramático assim como o Psicodrama facilita o surgimento da espontaneidade (base do Psicodrama), conceito que, segundo Moreno, significa dar respostas adequadas a situações novas e novas respostas a situações já conhecidas. Ocorrendo no contexto do "como se" que é uma característica do Psicodrama, o Jogo Dramático permite vivenciar situações semelhantes às da vida, numa atmosfera permissiva e de compreensão, desenvolvendo a capacidade espontânea e criativa das pessoas, o que as levará a descobrir novas formas de atuação.
No Psicodrama, o protagonista fornece a cena que dramatizará sendo dirigido pelo psicodramatista, auxiliado pelo(s) ego(s) auxiliar(es) e assistido pela platéia. Inicialmente, o psicodramatista aquece o grupo (aquecimento inespecífico) para surgir o protagonista; faz o aquecimento específico deste e desenvolve o cenário para a representação dramática (dramatização) e após essa, coordena o compartilhar (sharing) da platéia com o protagonista.
No Jogo Dramático, o protagonista pode ser todo o grupo e, portanto, os dois tipos de aquecimento se fundem assim como a dramatização pode ser feita por todo o grupo. O sharing é o compartilhamento do que sentiram e é também o processamento do que viram, observaram e compreenderam com a experiência.
As técnicas básicas anteriormente definidas do duplo, do solilóquio, o espelho e a inversão de papéis (a mais eficaz delas, segundo Zerka Moreno, psicodramatista, esposa e seguidora dos trabalhos de Moreno) favorecem a reflexão sobre de que forma as pessoas estão atuando no momento presente, a necessidade de mudar e as alternativas possíveis.
No Jogo Dramático aplicado às organizações, o psicodramatista é chamado de facilitador para usar a denominação geral dos coordenadores de técnicas vivenciais de grupo. O jogo a ser realizado pode surgir do próprio grupo a partir de situações que estejam acontecendo no dia a dia de trabalho e que precisam ser melhoradas ou, pode ser dirigido e proposto ao grupo em função de temas que são comuns às empresas e que necessitam de desenvolvimento e aperfeiçoamento.
Em qualquer umas das situações o objetivo é a reflexão sobre o desempenho dos papéis atuais através da ação espontânea, e posteriormente a reflexão sobre novas alternativas de ação para atingir os resultados de forma satisfatória. O que diferencia basicamente o jogo dramático aplicado às organizações de suas outras aplicações é o mesmo que diferencia o Psicodrama Empresarial do Psicodrama Clínico.
Nas aplicações clínicas o foco é o desenvolvimento pessoal em todos os papéis que a pessoa desempenha na sua vida. Na aplicação às organizações o foco é o desenvolvimento dos papéis profissionais. Essa distinção é difícil de ser entendida e aceita mas é importante ser considerada.
A minha formação em Psicodrama foi totalmente clínica mas com minha experiência profissional organizacional fui conseguindo (não sem dificuldade) ao longo do tempo estabelecer e estruturar esses limites.
Esta distinção entre o clínico e o empresarial é que vai dar a direção aos objetivos da organização e aos seus profissionais. O objetivo é facilitar o desenvolvimento humano dos profissionais e das organizações favorecendo a realização e desempenho profissionais e consequentemente colaborando para o atingimento dos resultados organizacionais de forma humana e criativa.
O resultado que o Jogo Dramático vai proporcionar às empresas é o de facilitar a mudança dos profissionais que precisam de novas formas de atuação e de novas alternativas para trabalharem com satisfação e poderem atingir os resultados desafiantes que a cada dia estão demandando mais inovação.
Fonte: Jornal Estado de Minas
Suas técnicas básicas são o duplo, expressão dos sentimentos e pensamentos que o protagonista não percebe ou evita explicitar na cena representada, o espelho, que é o colocar-se na postura física do protagonista e fazer como ele faz, o solilóquio, dizer alto o que está pensando e a inversão de papéis, colocar-se no lugar do outro e representar o seu papel "como se" fosse o outro.
O Jogo Dramático assim como o Psicodrama facilita o surgimento da espontaneidade (base do Psicodrama), conceito que, segundo Moreno, significa dar respostas adequadas a situações novas e novas respostas a situações já conhecidas. Ocorrendo no contexto do "como se" que é uma característica do Psicodrama, o Jogo Dramático permite vivenciar situações semelhantes às da vida, numa atmosfera permissiva e de compreensão, desenvolvendo a capacidade espontânea e criativa das pessoas, o que as levará a descobrir novas formas de atuação.
No Psicodrama, o protagonista fornece a cena que dramatizará sendo dirigido pelo psicodramatista, auxiliado pelo(s) ego(s) auxiliar(es) e assistido pela platéia. Inicialmente, o psicodramatista aquece o grupo (aquecimento inespecífico) para surgir o protagonista; faz o aquecimento específico deste e desenvolve o cenário para a representação dramática (dramatização) e após essa, coordena o compartilhar (sharing) da platéia com o protagonista.
No Jogo Dramático, o protagonista pode ser todo o grupo e, portanto, os dois tipos de aquecimento se fundem assim como a dramatização pode ser feita por todo o grupo. O sharing é o compartilhamento do que sentiram e é também o processamento do que viram, observaram e compreenderam com a experiência.
As técnicas básicas anteriormente definidas do duplo, do solilóquio, o espelho e a inversão de papéis (a mais eficaz delas, segundo Zerka Moreno, psicodramatista, esposa e seguidora dos trabalhos de Moreno) favorecem a reflexão sobre de que forma as pessoas estão atuando no momento presente, a necessidade de mudar e as alternativas possíveis.
No Jogo Dramático aplicado às organizações, o psicodramatista é chamado de facilitador para usar a denominação geral dos coordenadores de técnicas vivenciais de grupo. O jogo a ser realizado pode surgir do próprio grupo a partir de situações que estejam acontecendo no dia a dia de trabalho e que precisam ser melhoradas ou, pode ser dirigido e proposto ao grupo em função de temas que são comuns às empresas e que necessitam de desenvolvimento e aperfeiçoamento.
Em qualquer umas das situações o objetivo é a reflexão sobre o desempenho dos papéis atuais através da ação espontânea, e posteriormente a reflexão sobre novas alternativas de ação para atingir os resultados de forma satisfatória. O que diferencia basicamente o jogo dramático aplicado às organizações de suas outras aplicações é o mesmo que diferencia o Psicodrama Empresarial do Psicodrama Clínico.
Nas aplicações clínicas o foco é o desenvolvimento pessoal em todos os papéis que a pessoa desempenha na sua vida. Na aplicação às organizações o foco é o desenvolvimento dos papéis profissionais. Essa distinção é difícil de ser entendida e aceita mas é importante ser considerada.
A minha formação em Psicodrama foi totalmente clínica mas com minha experiência profissional organizacional fui conseguindo (não sem dificuldade) ao longo do tempo estabelecer e estruturar esses limites.
Esta distinção entre o clínico e o empresarial é que vai dar a direção aos objetivos da organização e aos seus profissionais. O objetivo é facilitar o desenvolvimento humano dos profissionais e das organizações favorecendo a realização e desempenho profissionais e consequentemente colaborando para o atingimento dos resultados organizacionais de forma humana e criativa.
O resultado que o Jogo Dramático vai proporcionar às empresas é o de facilitar a mudança dos profissionais que precisam de novas formas de atuação e de novas alternativas para trabalharem com satisfação e poderem atingir os resultados desafiantes que a cada dia estão demandando mais inovação.
Fonte: Jornal Estado de Minas
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